O ANO INTERNACIONAL DA ONU PARA AS FLORESTAS

Oração Comunitária
2011, O ANO INTERNACIONAL DA ONU
PARA AS FLORESTAS
“Batam palmas os rios todos e todas as árvores da floresta gritem de alegria” (Sl 97,8)

Onde houver possibilidade, sugerimos que a celebração se realize ao ar livre, debaixo de árvores, perto de água corrente … de outra maneira, o lugar da oração poderá ser decorado com posters ou fotos de florestas, matas, rios, mar …

Introdução
A ONU declarou que 2011 será o Ano Internacional das Florestas. Tem em vista a urgência de uma maior sensibilidade para a proteção dos frágeis recursos florestais do planeta e uma gestão mais eficaz de sua subsistência. O Ano Internacional nos levará a aprofundar a compreensão da importância das florestas na conservação da energia e da vitalidade do planeta e também do alcance de certos objetivos do desenvolvimento global, especialmente os objetivos traçados pelo Programa do Desenvolvimento do Milênio. Em um clima de oração, enfoquemos a interdependência que existe entre as florestas e a água. A Organização das Nações Unidas declarou o dia 21 de Março, “Dia das Florestas”, e o dia 22 de Março, “Dia da Água” portanto são agora “Dias Internacionais”. Desta maneira deu-nos a oportunidade de refletir sobre estes dons, que Deus nos dá para sustentar a vida. A Comissão Justiça e Paz da USG/UISG, com a Sociedade Civil, convida religiosos e religiosas, junto com comunidades de outras confissões, a rezar e trabalhar para um mundo mais sustentável para cada pessoa e para toda a criação.

Hino (ao Espírito Criador … louvor e agradecimento a Deus, o doador da vida … o hino das criaturas (São Francisco de Assis).

Em nome do Criador, fonte de vida,
em nome de Cristo, a pulsação da vida,
e em nome do Espírito, o sopro da vida.
Amém!

O Senhor da vida esteja com vocês.
E com você também!

Oh Deus, estamos reunidos em vosso nome,
para adorar neste santuário chamado Terra,
o planeta cheio de vossa presença,
que estremece nas florestas,
vibra nos campos
pulsa nos sertões,
cintila nos rios.
Oh Deus, revelai-vos neste lugar,
e mostrai-nos a vossa face em toda a criação!

(Todos) Santo! Santo! Santo! A Terra está cheia da presença de Deus.

Com um olhar fixo e um coração contrito …

Certas formas de conquista e de exploração dos recursos são dominadoras e invasoras. Tornaram-se uma ameaça à capacidade de serem suportadas pelo meio ambiente: o meio ambiente “recurso” põe em risco o meio ambiente “casa”. A destruição das florestas, resultado de incêndios intencionais, acelera a desertificação e provoca consequências prejudiciais às reservas de água. Prejudica o “bem-viver” dos povos indígenas e das futuras gerações.(Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 461.466)

Estribilho: Senhor, Deus da Vida, tende piedade de nós! ou Kyrie eleison!

No dia 20 de Abril, uma explosão e o incêndio da torre de perfuração “Deep Horizon” da British Petroleum provocaram a morte de 11 trabalhadores. Dois dias depois, a torre afundou. Descobriu-se que o poço, 5000 pés abaixo da superfície do oceano, estava vazando petróleo bruto diretamente no Golfo do México, lavando a costa do Golfo de Louisiana, Mississipi, Alabama e Florida, poluindo praias e pântanos ricos de vida; matando pássaros, peixes, camarões, ostras, caranguejos e outras criaturas do mar; destruindo a subsistência das comunidades de toda a região. No mar, grandes rastros de petróleo e solventes químicos ameaçam cada vez mais o frágil ecosistema do oceano.

Estribilho

A Amazônia é uma das regiões mais preciosas “do Mundo” graças a sua biodiversidade, que é vital para o equilíbrio ambiental de todo o planeta (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 466).
“As florestas do mundo foram cortadas antes que tomássemos consciência de sua importância para a sobrevivência da humanidade. Praticamente agora resta-nos a Amazônia e somos desafiados a conservá-la. O petróleo, o gás, os minérios e a água – a água que em breve será mais preciosa que o petróleo – são recursos que precisamos utilizar. Porém, preservemos as florestas e desistamos do corte das árvores” (Palavras de Edmílson, um seringueiro da Amazônia).

Estribilho

O Congo é o segundo rio da Terra em volume de água e mantém a segunda floresta pluvial do mundo. A bacia do Congo alimenta uma grande parte da biodiversidade da África: mais de 600 espécies de árvores e 10.000 espécies de animais. Seis nações têm em comum 1 milhão e meio de milhas quadradas da bacia do Congo. O Congo é um dos ecosistemas mais ameaçados do mundo pelo corte das árvores para fins comerciais e pelo desmatamento para a agricultura de subsistência. Frequentes conflitos civis devastam as florestas, deslocam os moradores e aumentam a expansão do comércio fraudulento. Desde a década de 1980, a África experimenta o maior desmatamento no globo.

Estribilho

A Indonésia tem uma área florestal que corresponde a cerca 10% das restantes florestas tropicais do mundo. Avalia-se que a região tropical do Sudeste da Ásia – cujas florestas são um tesouro de espécies de plantas e animais, inclusive os orangotangos ameaçados de extinção – perdeu 72% da fronteira da floresta original. A região é agora o segundo produtor de óleo de palmeira do mundo, com cerca 5 milhões de hectares de plantação de palmeiras. As empresas de óleo de palmeira queimam as florestas de turfa para ter terra para plantar, na província de Rian, apesar da promessa do Governo de acabar com os incêndios da floresta. Cada ano, os incêndios das florestas são uma ameaça para a Indonésia e para os países vizinhos, que ficam profundamente afetados pela evidente falta de resultado em acabar com os fogos durante a estação da seca e com as grandes nuvens de fumaça ou de névoa que sufocam a região. Além dos riscos à saúde de milhões de pessoas e dos danos ao meio ambiente, a fumaça solta grandes quantidades de dióxido de carbono, contribuindo ao aquecimento global.

Estribilho.

Na região de Murcia, Espanha, 45% do território é coberto pela floresta. O desmatamento da região é causado pelos incêndios e pelo corte de árvores e mato rasteiro para a agricultura e a expansão urbana. Nos últimos 50 anos, os incêndios dos pinheirais se tornaram frequentes. Os pinheiros não são naturais da área. Foram introduzidos por razões de silvicultura; de fato, crescem mais rapidamente que as florestas “naturais” e podem ser utilizados como madeira.

Estribilho.

A introdução de técnicas de cultivo e de gestão da água, vindas da Europa, tiveram um impacto dramático sobre o meio ambiente da Austrália. A presença de salina é uma das causas mais graves da degradação da água dos rios da Austrália, hoje. Um outro problema é que a quantidade de água extraída é maior do que a que entra nos rios. Por ser um território árido, a Austrália tem um volume limitado de água disponível. Um rio precisa de um certo volume de água para poder correr e fornecer condições de vida aos animais, peixes e suficiente água às plantas.

Estribilho.

Os-as participantes podem acrescentar informações
sobre florestas e rios em suas próprias regiões.

A Fé em Deus, Criador do Universo, em Deus de todas as criaturas, convida-nos a reconhecer a responsabilidade pelas feridas infligidas às florestas, pelo uso abusivo da água e pelas consequências dessas ações sobre os mais vulneráveis.

(Juntos): Eu sou a floresta que está sendo derrubada.
Eu sou os rios e o ar que estão sendo poluídos.
Eu sou também a pessoa que está derrubando a floresta
e poluindo os rios e o ar.
Eu me vejo em todas as espécies
E vejo todas as espécies em mim.

(Thich Nhat Hanh Plum Village Chanting and Recitation Book)

O projeto de Deus:

“ Temos que levar em conta a natureza de cada criatura e a mútua relação no sistema ordenado, que é precisamente o cosmo” (Sollicitudo Rei Socialis, 34).

Do livro do Gênesis (1, 6-12)

Então Deus disse: “Que exista um firmamento no meio das águas para separar águas de águas! E assim se fez. Deus fez o firmamento para separar as águas que estão acima do firmamento das águas que estão abaixo do firmamento. E Deus chamou ao firmamento “céu”. Houve uma tarde e uma manhã: foi o segundo dia. Deus disse: “Que as águas que estão debaixo do céu se ajuntem num só lugar, e apareça o chão seco”. E assim se fez: e Deus chamou ao chão seco “terra” e ao conjunto das águas “mar” . E Deus viu que era bom. Deus disse: “Que a terra produza relva: ervas que produzam sementes e árvores que dêem frutos sobre a terra, frutos que contenham sementes, cada uma segundo a sua espécie”. E assim se fez: a terra produziu relva, ervas que produzem semente, cada uma segundo a sua espécie, e árvores que dão fruto com a semente, cada uma segundo a sua espécie. E Deus viu que era bom. Houve uma tarde e uma manhã: foi o terceiro dia.

Silêncio para reflexão

A atitude que deve caracterizar a maneira do homem e da mulher de relacionar-se com a criação é essencialmente de respeito e de agradecimento; o mundo na verdade, revela o mistério de Deus que o criou e o sustenta. (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 487)

Pela irmã água,
que é humilde, útil, preciosa e casta:
Bendito seja o Senhor Deus que a criou!

Pela irmã mãe terra,
que produz frutos,
flores coloridas e ervas
Bendito seja o Senhor Deus, que a criou!

Pelas florestas que purificam a água e o ar,
protegem o solo da erosão e dos ventos fortes
e preservam a diversidade biológica
Bendito seja o Senhor Deus, que os criou!

Pelos córregos e rios,
pelas fontes e chuvas,
pelos mares e oceanos:
Bendito seja o Senhor Deus, que os criou!

Experiências

Deus oferece à humanidade a honra de cooperar com a criação através da energia de sua inteligência. Cada indivíduo e cada instituição deve comprometer-se com a proteção do patrimônio das florestas e, quando é necessário, promover programas de replantar as florestas.
O uso da água e os serviços relacionados ao seu uso devem ser de acordo com as necessidades da pessoa, especialmente dos povos empobrecidos. Se a água faltar, a vida é ameaçada. Portanto, o direito à água é universal e inalienável. (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 460, 466, 484. 485)

A Coréia do Sul, de muitas maneiras, é um exemplo para o resto do mundo. Quando na Coréia terminou a guerra, há meio século, a parte montanhosa do país estava quase totalmente desmatada. Em volta de 1960, o Governo da Coréia do Sul lançou um projeto nacional para replantar as florestas. Apoiadas na criação de um sistema de cooperativas nas aldeias, centenas de milhares de pessoas foram mobilizadas para cavar trincheiras e criar terraços nas montanhas para plantar árvores. O resultado foi o renascimento milagroso de florestas em terras sem vegetação. Hoje as florestas cobrem 65% do país, equivalente a uma área de aproximadamente 8 milhões de hectares. Viajando de carro é gratificante admirar a beleza exuberante das árvores em montanhas que, há uma geração, estavam sem vegetação. Podemos replantar as florestas da Terra!

O povo do Blangadesh iniciou a plantar um milhão de árvores pela conhecida Campanha das Crianças em prol da Floresta. O futuro do meio ambiente do globo precisava do desenvolvimento de uma geração jovem de liderança ambiental. A Campanha das Crianças para a Floresta pretendia plantar árvores de aldeia em aldeia, alcançando 1,000 aldeias, com o objetivo de minimizar a perda do núcleo das florestas e criar áreas “para-choques” para proteger o patrimônio florestal. As florestas tinham de serem vistas pelos olhos das crianças a fim de curar um planeta doente.

Em Itália, na província de Aquila, durante o Festival Anual dos Narcisos, um dos carros alegóricos da procissão foi dedicado à água e recebeu o título: “Clara? Mais pura? Caríssima!”. O carro ressaltava problemas relacionados com a água. Devido a uma nova lei do Governo, a água tornou-se um produto e uma mercadoria, aumentando a carência da população pobre, que ficou a mais prejudicada. A história diz que a gota de água que saiu da fonte ficou escrava de um novo dono. Nossa responsabilidade é garantir que a água permaneça um bem público, accessível e não uma mercadoria fora do alcance da população. Na Itália, foram coletadas um milhão e quatro cento mil assinaturas que foram enviadas ao Tribunal de Recursos, exigindo um Referendum contra a privatização dos serviços de água.

Cada pessoa pode partilhar experiências positivas ou iniciativas realizadas em sua própria região e/ou idéias relacionadas com aquilo que acabanos de ouvir.

Rezemos (ou cantemos) com as palavras do Salmo:

Cantem para Javé um cântico novo!
Terra inteira, cante para Javé!

Cantem para Javé, bendigam seu nome!
Proclamem sua vitória dia após dia!

Digam às nações: Javé é Rei!

Ele firmou o mundo que jamais tremerá;
Ele governa os povos com retidão.

Que o céu se alegre e a terra exulte,
estronde o mar e tudo o que ele contém.

Que o campo festeje e tudo o que nele existe,
as árvores da selva gritem de alegria,
diante de Javé, pois ele vem.

Ele vem para governar a terra:
Governará o mundo com justiça.
E as nações com fidelidade.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo …

(Salmo 96,1-2.10-13)

Rezemos:

Deus Criador e Jardineiro do mundo,
Vós que cuidais das árvores, dos campos e das ervas,
Vós que manteis as florestas, as matas, as planícies e as águas fecundas,
Vós que sois Aquele que reveste a nossa Terra com seu leve manto azul,
nós vos pedimos a Bênção sobre cada um de nós e sobre tudo o que está sob vosso poder
a fim de que mudem nossos comportamentos destrutivos;
nós vos pedimos de abençoar nosso compromisso com a preservação da vida da humanidade
e de toda a Comunidade Terra.
Abençoai a terra e nós vossas criaturas, Templo de vosso Espírito Santo.
Por Jesus Cristo, vosso Filho, nosso Senhor.
Amém.

Hino Final (bênção, agradecimento, louvor ….).

Para a reflexão:

1. Membros de institutos religiosos internacionais, de que maneira nós nos solidarizamos com as irmãs e irmãos dos países pelos quais rezamos nesta celebração?
2. Durante a celebração, identificamos sentimentos, fizemos alguma ligação com aspectos de nossa vida, da vida de nossa família ou com as questões relativas à vocação cristã de ser instrumento de vida?
3. Como podemos manter presente o cuidado das florestas e das pessoas que dependem delas em nossa oração durante este ano?
4. Existe algo prático que você ou a sua comunidade podem fazer para viver de maneira mais efetiva o reabastecimento das florestas e/ou o melhoramento do ecosistema em nível local, nacional e internacional?

Esta celebração foi preparada pelas Pobres Clariças de Cortona, Itália, para a Comissão Justiça, Paz, Integridade da Criação.

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